A Oficina Literária Poéticas Oníricas do Sonhar Social, objetiva acolher os Sonhos como territórios de criação e pretende despertar os participantes para a potência das narrativas/dramaturgias/imagens oníricas e transformá-las em escritos literários de autoria coletiva.
As vagas são limitadas e os interessados deverão preencher o formulário específico da cidade na qual desejam participar da oficina. Os links estão no endereço:
ITAJAÍ – 04 E 11/05 – INSCRIÇÕES ENCERRADAS
CANELINHA – 31/05 E 01/06 – INSCRIÇÕES ENCERRADAS
JARAGUÁ DO SUL – 14 E 15/06 – INSCRIÇÕES ENCERRADAS
IÇARA – 21 E 22/06 – INSCRIÇÕES ENCERRADAS
FLORIANÓPOLIS – 19 E 20/07 – INSCRIÇÕES ENCERRADAS
Como um dos produtos da Oficina, será editado um livro inédito intitulado: Sonhário – Cartografias do Inconsciente Coletivo, contendo o resultado do material poético produzido nas oficinas, somados a um arcabouço histórico sobre obras literárias feitas a partir da matéria dos sonhos, de modo a ser uma leitura de consulta, estímulo e compreensão desta potente matéria prima para produções literário/artísticas.
A Oficina é inspirada em grandes nomes da literatura mundial, da filosofia e da Psicologia, que tiveram os Sonhos como parte de seus interesses, pesquisas e criações. Nomes como Jorge Luis Borges, Jack Kerouac, Federico Fellini, André Breton, Fausto Cunha, William Blake, C.G.Jung , Akira Kurosawa, David Brum, Fernando Diniz, Aníbal M. Machado, Carlos Pertuis, dentre outros, que há muito tempo perceberam a importância e potência criativa dos sonhos.
Kerouac em seu ‘Livro dos Sonhos’ (1969), dedicou seus escritos oníricos “às rosas do porvir”, e Jorge de Lima se utilizou do onírico na construção do seu ‘A Invenção de Orfeu’ (1958), priorizando o ato da criação em concordância com o significado constitutivo da imagem
onírica. A oficina se apropria de alguns conceitos surrealistas e metafóricos, que sinalizam que para sairmos do ‘reino da lógica’, que nos governa através do racionalismo fundamentado pela utilidade imediata e voltado para o senso comum, apontam-se as portas dos sonhos.
Para Breton (2001), é inaceitável que o onírico, parte tão importante da atividade psíquica, tenha chamado tão pouca atenção; segundo ele o sonho e a noite não podem ficar reduzidos a um “parêntese”. A proposta de valorizar e estimular a pesquisa de criação a partir do universo onírico, que é um espaço de criação independente, de caráter democrático e individualizante, é o foco desta oficina, e traz à tona este aspecto humano nem sempre observado como potência criativa.
No mundo dos sonhos, há uma transformação do espaço como o concebemos no mundo da vigília; de acordo com Bachelard, perdem-se “suas forças de estrutura, suas coerências geométricas. O espaço onde vamos viver nossas horas noturnas não possui mais lonjura. É a síntese muito próxima das coisas e de nós mesmos”. (BACHELARD: 1991, p.160). Outra característica do sonho se refere a seu processo de deslocamento. Isto significa que uma imagem pode ter mais de um significado, pois por analogia pode se transferir sentimentos e conceitos de uma a outra. No sonho, percebe-se também a facilidade para o trocadilho e a inversão de termos como se as palavras se comportassem como coisas.
Essas características apontam a semelhança entre a formação dos sonhos e a atividade artística. Parece razoável dizer que o sonho pode servir de instrumento inspirador ao artista que, posteriormente, dá prosseguimento ao seu trabalho, utilizando-se do pensamento intelectual, sendo esta a metodologia de criação da oficina. E como sabemos existem aqueles que se utilizam do sonho para construir suas obras sem mesmo fazer um retoque posterior. Mas, talvez, um dos grandes serviços prestados pelo onirismo à literatura, como instrumento de criação artística, está no fato dele fornecer ao artista uma espécie de liberdade (com o abandono, mesmo que provisório, da função crítica – às vezes bloqueadora do ato da criação) e espontaneidade no espírito criador.
A técnica utilizada na oficina, surge em 1982, quando Gordon Lawrence desenvolveu o Social Dreaming – o Sonhar Social –, um método que, por meio da associação livre (técnica muito usada por C.G.Jung), favorece expandir o significado e o conteúdo de um sonho relatado no interior de uma matriz grupal.
Dream–telling – Contar o Sonho – é uma técnica desenvolvida em trabalhos com grupos, que parte do princípio de que contar o sonho é um acontecimento social realizado no espaço intersubjetivo estabelecido entre sonhador e ouvinte. Jung acreditava que os sonhos eram via que se abria para o cosmos, apresentando uma concepção do sonho que surgia do universal para o self verdadeiro, revelando, ainda, características do sonhador, da religião e da cultura (inconsciente pessoal, cultural e coletivo).
A visão do sonho, trazida por Jung, envolve, não apenas a relação do sonhador com universo, os arquétipos, mas aponta também para a ideia de um sonho que comporta a relação com o outro, com o grupo ao qual o indivíduo pertence. Outro aspecto importante em relação aos sonhos, é o fato de que eles podem funcionar como experiências criativas, reparadoras e, principalmente, transformadoras para o sonhador.
Em 1937, Ella Sharpe já apontava para o fato de que o trabalho do sonho e o sonho permitiam revelar o “não conhecido implícito no conhecido” e que esse processo permitia uma ampliação da experiência da linguagem e do pensamento. De uma forma particular, tanto o sonhador quanto o poeta ou o artista seriam capazes de transcender o cotidiano e ampliar, de forma infinita, as palavras e os sentimentos (SHARPE, 1937/1961, p. 12). Uma apreciação intersubjetiva do fenômeno do sonho permite a ampliação de sua investigação, que pode deslocar-se de uma visão meramente individual/intrapsíquica para uma perspectiva interpsíquica/intersubjetiva, que contempla a existência de espaços comuns de compartilhamento de sonhos.
Nesse sentido, um grupo de compartilhamento criativo de sonhos está cercado de significados e, por outro lado, a matriz permite a emergência de múltiplos e infinitos significados e sentidos. Além disso, a matriz pode ser considerada como um espaço que contém um sonho e suas transformações. Proposta Cultural realizada com recursos do Governo do Estado de Santa Catarina, pela Fundação Catarinense de Cultura [FCC], por meio do Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2023
FICHA TÉCNICA
Produção Geral: Eranos Círculo de Arte
Ministrante da Oficina: Sandra Coelho
Assessoria de Imprensa: Prosa Cultural
Produção Local Itajaí: Camila Gonçalves
Produção Local Canelinha: Jo Fornari
Produção Local Jaraguá do Sul: Paulo Zwolinski
Produção Local Içara: Priscila Schaukosky e Bruno Andrade
Produção Local Florianópolis: Eranos Círculo de Arte
Designer Gráfico/Web e Editoração: Leandro Maman
Patrocínio: Fundação Catarinense de Cultura – Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2023
Apoio: Fundação Cultural de Itajaí, Casa da Cultura de Itajaí, Fundação Franklin Cascaes, Casa das Máquinas, Instituto Junguiano de Santa Catarina, Sesc.
Agradecimentos: Carlos Serbena e Roque Tadeu Gui.
